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Assistimos estarrecidos os massacres promovidos por radicais muçulmanos nos últimos dias. O ato radical que provocou comoção e indignação internacional, sem dúvida, foi o assassinato dos cartunistas do Semanário “Charlie Hebdo” de Paris.

Segundo testemunhas os assassinos que invadiram a sede da revista dispararam contra os desprevenidos funcionários aos brados de “vingamos o profeta”. Uma clara referência a Maomé, o profeta fundador do Islamismo que tinha sido satirizado pelo Semanário.

Repudiamos fortemente a atitude terrorista e condenamos os atos criminosos praticados em nome do Islã (leia postagem anterior). Ninguém pode sair matando quem faz sátira de suas crenças ou vive e pensa diferente de sua cultura.

No entanto, é preciso parar e refletir. Concordamos que nada justifica o ato covarde e criminoso praticado em nome do Islã. Mas, uma questão deve ser racionalmente discutida: qual é o limite da liberdade de expressão? Ou será que não existem limites?

Temos o direito de ofender e satirizar a crença alheia? Podemos expor ao ridículo a fé de nosso próximo? Não devemos respeitar o direito de escolha das pessoas? Em um mundo civilizado não é consenso que nossa liberdade termina quando começa a liberdade do outro?

No Brasil é frequente, infelizmente, o uso da liberdade de expressão para ofender a fé cristã. A mídia, músicas, novelas, humoristas e programas diversos se revezam em dessacralizar o cristianismo. Não obstante nenhum cristão sai por ai metralhando e tirando a vida das pessoas que discordam de sua fé. Isto pelo fato do Evangelho de Cristo ensinar o amor e o perdão. Ao contrário do Alcorão que incita o ódio e vingança.

Será este o motivo da mídia brasileira satirizar a fé cristã e nada publicar contra o islamismo? Será por isso que fazem uso da liberdade de expressão para ridicularizar quem não vai revidar, mas se acovardam em fazer o mesmo contra quem tem histórico de violência?

O mundo repudia a ação dos terroristas islâmicos e defende o direito de liberdade de expressão. Unimos nossas vozes neste brado mundial, porém, uma pergunta não quer calar: e o direito de escolha? Não deve ser respeitado? As escolhas dos judeus, muçulmanos, cristãos e adeptos de religiões diversas? Reitero o questionamento: não existem limites para a liberdade de expressão? Esse direito deve sobrepujar os demais direitos?

Em lugar de satirizar e ofender a religião de um indivíduo, povo ou nação, não seria melhor mostrar racionalmente a realidade acerca das religiões? É verdade que não devemos fechar os olhos para o mal que emana do islã e outras religiões que incitam o ódio e a intolerância. Contudo, defendo que devemos argumentar com fatos e não fazer uso de sátiras ofensivas. Do mesmo modo os ofendidos devem defender-se com o uso das leis em vigor e não fazer “justiça” com as próprias mãos.

No entanto, o Semanário “Charlie Hebdo” não se limita a fazer críticas meramente construtivas. As charges publicadas são extremamente ofensivas e sem respeito algum a religião alheia. A capa de novembro de 2012 publicou uma charge obscena da santíssima trindade e trazia como tema o casamento gay [1]. Fazer humor ou criticar é válido no estado de direito democrático, porém, bem diferente é blasfemar e desrespeitar. Contudo, apesar da conduta desrespeitosa da revista nada justifica a violência sofrida.

Diante desta realidade não deveria a imprensa respeitar a pluralidade religiosa? E assim requerer, por exemplo, que muçulmanos respeitem às escolhas dos cristãos que vivem em países islâmicos? Repito que nada justifica a violência muçulmana, mas torno a perguntar: qual é o limite da liberdade de expressão? Até onde ela deve chegar? Enfatizo que não apoio em nem simpatizo com a censura, mas acredito no bom senso.

Entendo que o direito de escolha é tão fundamental quanto o da liberdade de expressão. Ninguém pode ser cerceado de seu direito de expressão e nem de seu direito de escolha. Ninguém pode sair matando por ter sido satirizado, mas também ninguém deveria publicar sátiras ofensivas por discordar do pensamento ou da crença de alguém. Defendo a argumentação racional e o respeito pelas diferenças e repúdio a ofensa gratuita.

O direito de escolha deve ser respeitado. Discordo dos atos violentos e reitero que nada justifica o terrorismo dos radicais islâmicos, mas insisto: não estará o mundo sendo parcial e hipócrita discutindo apenas a liberdade de expressão e de modo tendencioso ignorando o respeito que se deve ao direito de escolha?

Reflita Nisso!

Artigo de Douglas Baptista para o site da CPAD. Douglas é pastor, líder da Assembleia de Deus de Missão do Distrito Federal, doutor em Teologia Sistemática, mestre em Teologia do Novo Testamento, pós-graduado em Docência do Ensino Superior e Bibliologia, e licenciado em Educação Religiosa e Filosofia; presidente da Sociedade Brasileira de Teologia Cristã Evangélica, do Conselho de Educação e Cultura da CGADB e da Ordem dos Capelães Evangélicos do Brasil; e segundo-vice-presidente da Convenção dos Ministros Evangélicos das ADs de Brasília e Goiás, além de diretor geral do Instituto Brasileiro de Teologia e Ciências Humanas.

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