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A exemplo do que aconteceu com “Noé”, que foi massacrado pela crítica e rendeu bem menos do que o esperado, “Êxodo” foi muito criticado por não fazer uma leitura cinematográfica fiel do texto bíblico. Em parte, a estratégia do estúdio Fox e a da produtora Chernin Entertainment não é promover a produção como um relato religioso, mas enfatizar que se trata de um filme de ação.

O diretor Ridley Scott conseguiu atrair a fúria de ativistas americanos que classificaram o filme como “racista” e pediram boicote. Teólogos cristãos e judeus também recomendaram que os fiéis não vejam o longa.

Os problemas começaram quando se divulgou ano passado quem viveria os personagens principais. Todos são artistas brancos, o que seria pouco provável numa narrativa passada no Egito, um país africano. Mais do que isso, os negros que aparecem no filme são retratados como um ladrão, um assassino, um serviçal do faraó ou um cidadão egípcio de classe baixa.

Um dos aspectos que mais chateou os teólogos que já viram o filme –cuja estreia no Brasil ocorreu dia 25 de dezembro – é o fato de Deus ser representado como uma “criança voluntariosa”. O ator britânico Isaac Andrews, de 11 anos de idade, oferece sua voz e rosto para a ideia do Todo-Poderoso que se comunica com Moisés. Ele substitui a sarça ardente onde o Senhor falou com Moises no deserto.

“Para qualquer pessoa que tenha alguma relação com Deus e as Sagradas Escrituras, seria difícil aprovar o que foi feito”, disse Chris Stone.

Gary A. Rendsburg, professor de estudos judaicos na Universidade Rutgers, lembra que Deus ser visto faria com que o humano caísse morto, segundo o capítulo 33 do livro do Êxodo.

Ao Hollywood Reporter, o diretor Scott disse apenas que se norteou “pelos seus instintos” quando decidiu representar a Deus como menino para “evitar os clichês”.

Também não ajudam as declarações de Christian Bale, que chamou o Deus do Velho Testamento de “volátil” e Moisés de “esquizofrênico” por acreditar que falava com Deus. Diversos sites cristãos deram espaço para as declarações, gerando controvérsia.

Ken Ham, influente escritor e apologeta, criticou o filme, dizendo que o enredo “diminui” a Deus, tirando sua glória ao apresentar explicações científicas para todos os milagres que ocorreram para a libertação do seu povo do Egito.

Uma das poucas vozes dissonantes é a do reverendo Floyd Flake, da catedral Greater Allen A.M.E., de Nova York, o qual acredita que muitos cristãos farão uma ligação de um “Deus menino” com os relatos sobre o nascimento de Cristo, no Novo Testamento.

O site Faith Driven Consumer, especializado em entretenimento cristão deu a Êxodo 2.5 estrelas na cotação que vai até 5, alegando que assim como “Noé”, este filme pode enganar quem procura por “relevância bíblica”.

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