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Quando me pus a comentar a revista Lições Bíblicas deste trimestre de Escola Dominical da CPAD, deparei-me com alguns desafios bastante singulares. Sei perfeitamente que a Bíblia, do Gênesis ao Apocalipse, é a inspirada e inerrante Palavra de Deus. E que, nela, não há contradição alguma, pois a suas belezas e perfeições não conhecem limites. Mas como explicar suas ilimitadas e infinitas fronteiras?

Ante os desafios dos onze primeiros capítulos de Gênesis, dispus-me a pensar racionalmente, e cheguei a estas conclusões:

1. Estamos diante de uma narrativa histórica, e não ante uma parábola que busca explicar o inexplicável. Portanto, a descrição que Moisés faz da criação dos Céus e da Terra é um fato verídico. Não colocaremos o autor sagrado, pois, na mesma galeria de Homero, Hesíodo, Virgílio e Camões. Moisés, além de poeta, era historiador.

2. Quanto aos três primeiros versículos do Gênesis, que o aceitemos com a mesma simplicidade que o profeta o redigiu. Por conseguinte, descartamos, desde já, a chamada Teoria da Lacuna, que alguns estudiosos preferem alcunhar de Teoria do Caos.

3. Portanto, não temos nenhuma base escriturística para acreditar num pré-mundo habitado por anjos ou por hominídeos.

4. Se o autor sagrado descreve a Terra, antes do primeiro dia da criação, como informe e vazia, não significa que o planeta estivesse em estado caótico. Mas que, naquele momento, tomava forma sob a ação do Espírito Santo, que pairava por sobre as águas. Tratava-se, pois, da etapa inicial da obra divina que, embora efetivada em apenas seis dias literais, em tudo mostrou-se metódica, lógica e, por incrível que pareça, científica.

5. Deus trabalhou, com muita arte e ciência, o nosso planeta. Primeiro deu-lhe forma. Depois, chamou à existência os dois reinos de vida irracional: o vegetal e o animal. E, só então, chamou o homem a ser e a estar ao seu lado. Por isso, escreve Isaías: “Porque assim diz o Senhor, que criou os céus, o Deus que formou a terra, que a fez e a estabeleceu; que não a criou para ser um caos, mas para ser habitada: Eu sou o Senhor, e não há outro” (Is 45.18).

6. Se a Terra, no início, estava sem forma e vazia, não era em razão da apostasia do querubim ungido, que, em minha opinião, só ocorreria após a criação do ser humano. Como já disse, o vazio e a informidade do planeta faziam parte da etapa inicial da obra criadora de Deus. Como bom oleiro, primeiro o Senhor preparou a massa para, só então, dar forma ao grande vaso que é a Terra.

7. Por que acredito que a rebelião de Satanás deu-se após a criação do homem? Em primeiro lugar, porque Deus, quando criava a Terra, os anjos todos cantavam e rejubilavam-se (Jó 38.1-7). Esta passagem é muito reveladora.

8. Finalmente, não podemos usar os dois primeiros versículos da Bíblia Sagrada para acomodar as mais absurdas e incongruentes teorias. Infelizmente, nessa passagem, jogam-se todas as tranqueiras teológicas: raça pré-adâmica, dinossauros, hominídeos, demônios etc.

Aceitemos a Bíblia Sagrada como a Palavra de Deus. Quanto à criação, levemos em conta que se trata de um ato sobrenatural de Deus para dar forma e vida ao mundo natural. Nesse sentido, a criação é um milagre. E milagre, como todos nós sabemos, está acima da ciência, mas não é contraditado pela verdadeira ciência.

Artigo publicado originalmente no site da CPAD por Claudionor de Andrade, um dos principais teólogos pentecostais brasileiros, é Consultor Teológico da CPAD, membro da Casa de Letras Emílio Conde, teólogo, e conferencista.

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