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Alguns irmãos têm me perguntado, em seminários de Escatologia Bíblica e também nas redes sociais, sobre a identidade dos 24 anciãos que aparecem em Apocalipse, a partir do capítulo 4. Antes de responder de modo objetivo a essa pergunta, penso que é bom ressaltar que o apóstolo João, ao escrever a Revelação de Jesus Cristo, seguiu à risca a orientação que recebeu do Senhor: “Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer” (Ap 1.19).

Claramente, as coisas que João estava vendo (ou: “as que tens visto”) referem-se a Apocalipse cap. 1. Já as que eram (ou: “as que são”) aludem aos capítulos 2 e 3: a mensagem às setes igrejas da província da Ásia. E as coisas que depois destas haveriam de acontecer são as que estão registradas nos capítulos 4 a 22. Em Apocalipse 4.1, João vê uma porta aberta no Céu, e o Senhor Jesus começa a revelar-lhe o futuro glorioso da Igreja do Senhor: “Depois destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu; e a primeira voz, que como de trombeta ouvira falar comigo, disse: Sobe aqui, e mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer”.

O apóstolo vê, então, o trono de Deus e do Cordeiro, quatro seres viventes e 24 anciãos (Ap 4.2-4). Os quatro seres — que não serão aqui enfocados — possivelmente representam a totalidade dos anjos, visto que eles têm características de querubins e serafins (vv. 6-9). Quanto aos 24 anciãos, considerando que em nenhum lugar da Bíblia os anjos são chamados de anciãos (gr. presbuteros), seriam representantes de quem? Pelas suas características, sem dúvida, representam a Igreja galardoada, em sua totalidade, formada pelos salvos de todas as épocas.

1. Os 24 anciãos estão assentados em tronos, usam vestes brancas e coroas de ouro. Veja o que o Senhor Jesus prometeu à sua Igreja, representada pela igreja local da Laodiceia, na província da Ásia: “Ao que vencer, lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono” (Ap 3.21). Ele também prometeu que os salvos vencedores serão vestidos de branco e receberão coroas (Ap 2.10; 3.4,5,11).

2. Os 24 anciãos representam todos os salvos, de todas as épocas. No próprio livro de Apocalipse temos a revelação de que o número 24 alude a 12 tribos de Israel e 12 apóstolos do Cordeiro (cf. Ap 21.12-14). Observe: nas 12 portas estão os nomes das tribos de Israel, e nos 12 fundamentos, os nomes dos apóstolos do Cordeiro. Vemos aqui a representação dos salvos dos tempos do Antigo e do Novo Testamentos. Lembremo-nos de que, em Apocalipse 3.12, Jesus prometeu: “A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome”.

3. Os 24 anciãos são um novo grupo de adoradores de Deus, no Céu. Eles representam pessoas reais, pois falaram com João (Ap 5.5; 7.13). Ademais, têm harpas e salvas de ouro cheias de incenso — as orações dos santos (Ap 5.8) — e cantam um novo cântico, que dá ênfase à morte expiatória do Senhor (v. 9). Na Bíblia, mencionam-se no Céu serafins (Is 6.1-8; cf. Ap 4.8) e querubins (Ez 10.1-18; Hb 9.5). Anciãos são, por conseguinte, um novo grupo que se juntarão aos outros adoradores que já estão no Céu (Ap 4.10; 5.14; 7.11; 19.4).

Diante do exposto, vemos, em Apocalipse 4, de modo profético, por meio de símbolos, o que acontecerá no Céu a partir do Arrebatamento da Igreja. E, nesse caso, penso que estamos diante de mais uma grande evidência bíblica de que a Igreja não passará pela Grande Tribulação! Isso, aliás, por outro lado, não é novidade, e sim uma confirmação do que o próprio Senhor Jesus profetizou (Lc 21.25-36; Ap 2-3; 3.10; 13.15; cap. 19) e o que Deus nos revela através do apóstolo Paulo, nas duas epístolas à igreja de Tessalônica (cf. 1 Ts 1.10; 4.16-18; 5.1-9; 2 Ts 2.3-8).*

“Ora, vem, Senhor Jesus” (Ap 22.20).

Artigo do pastor Ciro Sanches Zibordi publicado originalmente no site da CPAD. Ciro é pastor, escritor, membro da Casa de Letras Emílio Conde e da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Autor do best-seller “Erros que os pregadores devem evitar” e das obras “Mais erros que os pregadores devem evitar”, “Erros que os adoradores devem evitar”, “Evangelhos que Paulo jamais pregaria”, “Adolescentes S/A” e “Perguntas intrigantes que os jovens costumam fazer”, todos títulos da CPAD. É ainda co-autor da obra “Teologia Sistemática Pentecostal”, também da CPAD.

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